Fascista? Quem?

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Aqui a Ovelha não tem tido sequer grande vontade em falar neste tema, pois são muitas as palavras impróprias que me sugere. Estou confinada há 43 dias, a sair só para as compras, quase como se fosse uma criminosa, a lavar-me e a desinfetar-me desenfreadamente. Com medo, muito medo, e a tentar que os outros também sintam esse receio pois, neste caso, o medo poderá ser a nossa salvação. Sou católica e, apesar disso, passei a minha Páscoa como um qualquer domingo e critiquei aqueles que não o fizeram, tal como critiquei os que foram para a praia, para a marginal de Vila do Conde ou os que passeiam em romaria pela minha rua. E é por isso que não posso deixar de criticar, ainda com mais intensidade, aqueles que deviam dar o exemplo e que se comportam como aquilo que chamam a quem a se opõe ás suas vontades impostas: fascistas! O termo "fascista" nasce da palavra italiana fascismo (de fascio. "feixe; associação política ou social"). Entre outras coisas, f

Delítio público


Nasci e cresci numa zona quase urbana que, ainda hoje, é conhecida como a Pedreira. É fácil perceber de onde lhe nasce a alcunha, de uma pedreira claro está, daquelas onde um grande pedaço de monte desaparecia deixando um imenso vazio no local onde antes existia vegetação e ... pedra. Não me recordo de ver pedra a ser retirada, mas lembro-me do muito tempo que levou para disfarçar esse vazio...
Hoje, como sempre, dependemos em muito da prospeção de minerais. Os metais preciosos têm sempre procura mas, o mineral da moda é mesmo o lítio, aquilo que está nas nossas nossas baterias, nos telemóveis, nas pilhas, nos modernos carros com os quais pretendemos combater o uso de combustível fóssil. Há uns meses ajudei a minha filha a fazer um trabalho escolar sobre as baterias de lítio e, como ela, fiquei a perceber que apesar de serem muito cómodas e duradouras, trazem demasiados impactos negativos para este nosso globo azul e verde, a começar precisamente na sua prospeção.
Por experiência, sabia que já há vários anos muitas empresas tentavam o licenciamento de prospeções em todo o Minho, que parece ser rico em vários minerais, entre as quais o desejado lítio. Mas, também por experiência, percebi que essas tentativas davam todas em "águas de bacalhau". Mas, desta vez, não estou tão descansada...
Uma empresa, já a operar no nosso país, pediu autorização para prospectar minerais numa área de quase 75 km2 localizada em três concelhos do Alto Minho, nas serras da Peneda e do Soajo. Não sou técnica para saber se é uma zona "tampão" ou deixa de ser, se está dentro, fora ou na fronteira com o Parque Nacional da Peneda Gerês, etc, etc, etc. O que sei é que conheço razoavelmente aquela área para perceber que se prepara um atentado ao nosso património natural, àquilo que realmente nos distingue e que, por essa razão, se vem tornando num fator de atratividade, numa violação do habitat de espécies únicas, num ataque mortal a parte do nosso pulmão... Pois, não quero reavivar aquela imagem que guardo da infância, daquele grande "oco" e das dezenas de anos que levaram apenas para o "disfarçar"...
Hoje temo, porque vejo que há algumas vontades políticas que se vergam ao peso do ouro do século. Mas só temo porque, tal como milhares de pessoas, não me atemorizo em lutar pela defesa daquilo que é nosso e que é o futuro dos nosso filhos! E são essas vozes uníssonas que, quem manda, vai ter de ouvir: A prospeção de minerais no Fojo é um "delítio" público!
Assine a petição pública.

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