Fascista? Quem?

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Aqui a Ovelha não tem tido sequer grande vontade em falar neste tema, pois são muitas as palavras impróprias que me sugere. Estou confinada há 43 dias, a sair só para as compras, quase como se fosse uma criminosa, a lavar-me e a desinfetar-me desenfreadamente. Com medo, muito medo, e a tentar que os outros também sintam esse receio pois, neste caso, o medo poderá ser a nossa salvação. Sou católica e, apesar disso, passei a minha Páscoa como um qualquer domingo e critiquei aqueles que não o fizeram, tal como critiquei os que foram para a praia, para a marginal de Vila do Conde ou os que passeiam em romaria pela minha rua. E é por isso que não posso deixar de criticar, ainda com mais intensidade, aqueles que deviam dar o exemplo e que se comportam como aquilo que chamam a quem a se opõe ás suas vontades impostas: fascistas! O termo "fascista" nasce da palavra italiana fascismo (de fascio. "feixe; associação política ou social"). Entre outras coisas, f

Ninguém lhe liga? Pergunte à RTP!



Desde que conheci a televisão por cabo que, confesso, afastei-me dos canais de televisão nacionais em sinal aberto. Já há muitos anos que não tenho paciência para telenovelas, programas de entretenimento que dão vontade de chorar ou para longos minutos de anúncios publicitários. A única coisa que vou vendo, esporadicamente, são os canais vocacionados para a informação.

Esta semana começa, para mim, com preocupações acrescidas relativamente aos canais portugueses.

Primeiro, por saber da tentativa de compra da TVI por parte da...IURD! A Globo News deu conta dessa intenção e, ao que parece, a Igreja Universal oferece uma verdadeira fortuna pelo canal que, ironicamente, quando nasceu era o canal da Igreja Católica portuguesa… Este é o sinal evidente do tamanho da raiva que a IURD tem em relação ao trabalho desenvolvido pela jornalista Alexandra Borges (uma das poucas que, no nosso país, ainda sabe o que é o bom jornalismo).

Mas estou também preocupada com a RTP. Neste caso porque estamos a falar de um canal que todos nós pagamos. A primeira ronda de apuramento para o Festival da Canção foi mais um sinal de que alguma coisa de muito errada se está a passar. 

Primeiro, com dois nomes emblemáticos da música portuguesa, a estragarem a boa memória que deles temos (António Calvário e Eduardo Nascimento deveriam ter percebido que a voz já há muito se foi), com a ajuda de um péssimo grupo de baile que os acompanhou (as orquestras no Festival, já eram!). 

Mas o pior é que o canal público está, dissimuladamente, a promover mais um cromo. Eu já tinha alertado para a "pérola" do Conan Osíris e o seu telemóvel partido (parece-me que nem o melhor absinto faria o nosso Pessoa escrever tamanho desvario). 

Por muito que tente encontrar algo de profundo na letra...nada. Como é que a televisão pública, paga por todos nós, patrocina a promoção de verdadeiros atentados à nossa língua, á nossa arte, á nossa cultura?

Tomem como exemplo a transcrição de um excerto de uma entrevista deste artista de carregar pela boca:
"A cena foi tens de lançar em tás a ver? É que tem que querer, tens que bater na porta do carro ainda estava tema da última primavera por ser dia 21 num dia específico, tás a ver? Que eu curti já sei porque razão não consegui ya man! As últimas ao vivo nessa altura pensei: ya tás a ver? Também querem eu que criei o que fazer o parto fazer crítica por largar o BB em janeiro mas havia aquela cena toda eu acho tem a ver com o fato de o imaginar quando é uma beca de um livro e transformar num, tipo, o álbum eu gostei imagina eu queria dar uma nuclear embora minha visão a nível visual fazer não queria dar um vídeo que não tinha nada a ver com o que eu estava a pensar sobre aquela música em específico tás a ver?".

Não, não estou a ver! Não, não estou a perceber porque é que a RTP ainda não foi privatizada! Não, não quero pagar por um serviço que é tudo, menos um serviço público!

Nota: A esta hora o Mimo da TMN, que aliás lançou a palavra telemóvel em Portugal, deve estar prestes a cometer uma loucura...



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