Fascista? Quem?

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Aqui a Ovelha não tem tido sequer grande vontade em falar neste tema, pois são muitas as palavras impróprias que me sugere. Estou confinada há 43 dias, a sair só para as compras, quase como se fosse uma criminosa, a lavar-me e a desinfetar-me desenfreadamente. Com medo, muito medo, e a tentar que os outros também sintam esse receio pois, neste caso, o medo poderá ser a nossa salvação. Sou católica e, apesar disso, passei a minha Páscoa como um qualquer domingo e critiquei aqueles que não o fizeram, tal como critiquei os que foram para a praia, para a marginal de Vila do Conde ou os que passeiam em romaria pela minha rua. E é por isso que não posso deixar de criticar, ainda com mais intensidade, aqueles que deviam dar o exemplo e que se comportam como aquilo que chamam a quem a se opõe ás suas vontades impostas: fascistas! O termo "fascista" nasce da palavra italiana fascismo (de fascio. "feixe; associação política ou social"). Entre outras coisas, f

Benetton: Genialidade que desafia a ignorância



Foi o chorrilho de comentários ignorantes a esta foto que levou a que eu venha hoje até esta página falar um bocadinho de história contemporânea. Entre os muitos comentários depreciativos retenho um: "Que palhaçada de roupa, parece um circo!". Errado, meus caros. Um circo é a ignorância em catadupa!

Esta ovelha já é cota, mas sempre gostou imenso da arte publicitária (sim porque uma publicidade pode ser uma forma de arte). A United Colours of Benetton não tem este nome por acaso. A marca foi criada em Itália em 1955, por um jovem vendedor que percebeu que as pessoas precisavam desesperadamente de cor nas suas vida. Luciano vendeu a bicicleta, comprou uma máquina de costura e, o sucesso das suas coloridas camisolas levou a que os seus três irmãos se juntassem ao negócio e levassem mundo fora a marca com o nome da família.

Nunca foi uma marca comodista nem convencional. Ao longo dos tempos foi-se afirmando pela postura e arrojo das suas campanhas publicitárias gráficas, com mensagens simples...mas intensas.

O fotógrafo Oliviero Toscani foi um dos "culpados" por tamanho atrevimento, nomeadamente na década de 80, altura em que a marca começou a abordar os problemas mundiais, com o fito da consciencialização (e da promoção da marca, claro está). A multi-racialidade e os estereótipos da moda foram dos primeiros temas a marcar presença.




Conseguiram? Se conseguiram! Os temas, as cores, a mensagem, tonaram a Benetton num dos mais belos e profundos casos de publicidade gráfica. Outras campanhas se seguiram, todas elas polémicas e intensas, como só a Benetton o (ainda) sabe fazer. Ainda hoje, mesmo "cota", sou fã destes trapinhos que de tão delas cores pintaram o meu mundo.

Mas não há amor tão grande e verdadeiro como a primeiro, e é esse sentimento que a nova campanha me sugere: um regresso ao passado em pleno presente.

E agora pergunto, aos "não cotas": O que é que conseguem ver nesta fotografia? Simples e ridículos trapinhos de circo?

Se a resposta é sim, tenho a dizer-vos que a minha geração é muito à frente da vossa!

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