Fascista? Quem?

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Aqui a Ovelha não tem tido sequer grande vontade em falar neste tema, pois são muitas as palavras impróprias que me sugere. Estou confinada há 43 dias, a sair só para as compras, quase como se fosse uma criminosa, a lavar-me e a desinfetar-me desenfreadamente. Com medo, muito medo, e a tentar que os outros também sintam esse receio pois, neste caso, o medo poderá ser a nossa salvação. Sou católica e, apesar disso, passei a minha Páscoa como um qualquer domingo e critiquei aqueles que não o fizeram, tal como critiquei os que foram para a praia, para a marginal de Vila do Conde ou os que passeiam em romaria pela minha rua. E é por isso que não posso deixar de criticar, ainda com mais intensidade, aqueles que deviam dar o exemplo e que se comportam como aquilo que chamam a quem a se opõe ás suas vontades impostas: fascistas! O termo "fascista" nasce da palavra italiana fascismo (de fascio. "feixe; associação política ou social"). Entre outras coisas, f

Apetece-me mandá-los para um sítio que eu cá sei, Senhores e Senhoras Ministros da Educação



É certo, há países piores, mas desde que tenho consciência de o ser, a Educação em Portugal sempre foi a área da verdadeira rebaldaria e sempre com tendência a agravar. Desde que iniciei o meu percurso entre livros e esferográficas, são poucos os Ministro que conseguiram, aos meus olhos, passar serenamente pela cadeira do ministério da tutela: talvez apenas Roberto Carneiro, Marçal Grilo e Guilherme Oliveira Martins, mas nem disso tenho a certeza... Lembro-me de, numa conversa há poucos anos, com Couto dos Santos, ter "descarregado" a alma a propósito da famigerada PGA, que eu até tinha concluído com distinção.

Mas praticamente desde a viragem de século que a "qualidade" se vem agravando, com alguns que apenas um ano seguraram a pasta, senhoras de má memória especialmente para professores e contribuintes (Ferreira Leite ainda na década de 90, a inesquecível "Lurdinhas" Rodrigues e a amorfa Isabel Alçada). Depois dela chegou o mais odioso: Crato! Tratou os professores abaixo de cão, os alunos como se tivessem de ser génios à nascença, com programas completamente desadequados e por aí adiante, um verdadeiro déspota.
Quando ele finalmente "deslargou" eu, a professora e a mãe, respirei de alívio porque acreditava que para pior, não seria possível...

Depositei grande esperança no atual Ministro, que eu aliás já tinha a certeza de que o ia ser antes dele próprio o saber. Falei com ele sobre questões de educação. Encontrei uma visão jovem, liberta, justa e ponderada, até porque ele próprio conhecia de perto a realidade dos professores. Confesso que o primeiro ano não me desiludiu mas, como todos sabemos, "não há bela se senão". E o primeiro erro do atual Ministro foi precisamente o de ter dito aos professores:"senão...". E pronto, cada pedra, cada sapo! Compreendo que lidar com Mário Nogueira (que é intragável até para os professores e que se está borrifando para muitos deles) não é fácil, mas quer se queira quer não ele representa uma classe, e toda essa classe ouviu um "senão" que não deveria ter ouvido. É claro que quem tem os seus filhos na escola não teve, em grande parte dos casos, a devida compreensão para a recente greve mas, meus amigos, apenas estavam a lutar por um direito tão legítimo como o dos nossos filhos terem acesso à educação. E o certo é que, no final, não deixaram nem um aluno prejudicado pela paralisação.

Concordo com Joana Mortágua (apesar de discordar com imensa coisa no BE) quando há dias afirmava que o tempo de serviço tinha necessariamente de ser contabilizado e que o Ministério bem que podia ter negociado a forma faseada da sua recuperação. Numa situação destas, não acredito que os professores se negassem a aceitar.
Apesar disso ficou uma boa notícia, a dos manuais escolares gratuitos até ao sexto. Mas logo depois vem a perspectiva de uma mudança que até pode agradar aos alunos mas que, de todo, não pode agradar aos educadores. Quando temos os resultados que temos nas provas de Português e Matemática, aterroriza-me que ambas as disciplinas possam ver os seus tempos reduzidos em função das chamadas "Expressões" que, por exemplo, é como quem diz, menos uma hora semanal a Matemática e mais uma para Educação Física. Nada tenho contra as expressões, pois fazem parte de um desenvolvimento integral das nossas crianças e jovens, mas cuidado, cheira-me que isto não vai correr bem!

Ao mesmo tempo vem um Concurso Extraordinário que colocou em setembro do ano passado professores por um período de 4 anos. Mais um concurso "trapalhão" que foi agora repetido. O problema, Sr. Ministro, é que centenas de professores estruturaram a sua vida para 4 anos em função da colocação do ano passado (a sua e a dos seus alunos). Esta semana uma colega foi privada do seu lugar de colocação. Esta semana a minha filha ficou sem uma professora magnífica. Esta semana os pais revoltaram-se com a sua partida. Esta semana os filhos desta professora choraram com a mãe porque aquilo que era certo deixou de o ser...

Mas, como em todas as coisas nesta vida, há bons mas também há maus professores... Esta semana, Sr. Ministro, foram também colocados imensos professores por destacamento, ao abrigo de condições especiais que todos sabem que não existem e que o Ministério não se dá ao trabalho de apurar.
Para os bons, Sr. Ministro, restam as lágrimas e a dor de abandonarem alunos e projetos, de abandonarem a estabilidade que acreditavam ter, de abandonarem... É de uma imensa falta da respeito para com as pessoas, Sr. Ministro e, sinceramente, acho que ainda esta a tempo de emendar a mão.

Acredite que não gostaria mesmo nada de o colocar no patamar "Crato"!
É por isso que me apetece mandá-lo, a si e aos ex-ministros da Educação, para um sítio que eu cá sei: para a Escola!

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