Fascista? Quem?

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Aqui a Ovelha não tem tido sequer grande vontade em falar neste tema, pois são muitas as palavras impróprias que me sugere. Estou confinada há 43 dias, a sair só para as compras, quase como se fosse uma criminosa, a lavar-me e a desinfetar-me desenfreadamente. Com medo, muito medo, e a tentar que os outros também sintam esse receio pois, neste caso, o medo poderá ser a nossa salvação. Sou católica e, apesar disso, passei a minha Páscoa como um qualquer domingo e critiquei aqueles que não o fizeram, tal como critiquei os que foram para a praia, para a marginal de Vila do Conde ou os que passeiam em romaria pela minha rua. E é por isso que não posso deixar de criticar, ainda com mais intensidade, aqueles que deviam dar o exemplo e que se comportam como aquilo que chamam a quem a se opõe ás suas vontades impostas: fascistas! O termo "fascista" nasce da palavra italiana fascismo (de fascio. "feixe; associação política ou social"). Entre outras coisas, f

Os BdC da política



Na década passada, quando chegou a crise, deixei de dar atenção ao futebol nacional. Não por não gostar de futebol, que gosto, mas porque numa altura em que tanta gente começava a passar sérias dificuldades, os valores em jogo eram insultuosos e quase imorais para uma sociedade portuguesa que sofria, e muito. Também nunca fui dada a comentar as "coisas" do futebol, mas hoje vou comentar porque este caso do Bruno de Carvalho não é sobre futebol, é sobre a sociedade portuguesa, as instituições, quem as dirige e sobre...política. 
De há alguns meses a esta parte que sempre que BdC me "passa pela frente" me recordo de uma mão de pessoas que conheci. E Miguel Sousa Tavares, na sua crónica semanal do Expresso, escreveu um texto quase perfeito (e não sou propriamente "adepta" dos comentários de Miguel Sousa Tavares).
Tal como eu, também ele teve desde cedo a percepção de que BdC era "cristalino", que os seus traços de personalidade estavam ali à mostra de todos desde o momento em que foi eleito. Mas porque raio é que nós, os portugueses, continuamos a eleger gente desta, tanto no associativismo como na política?!
E Miguel Sousa Tavares descreve o perfil na perfeição: "um narciso doentio, vaidoso e egocêntrico, sedento de um protagonismo insaciável, um Kim Jong-un da Reboleira". 
E é neste excerto que o texto de Miguel Sousa Tavares se torna quase perfeito: "os Brunos de Carvalho do futebol antecipam o que poderá ser um dia o aparecimento dos Brunos de Carvalho da política. E, a avaliar pelo que vimos no Sporting, o povo está maduro para lhes abrir os braços. O povo e as pretensas elites, que se julgava educadas para defender a democracia contra a demagogia. Talvez tenham complexos de enfrentar os demagogos quando eles se reclamam do povo e se dizem seus defensores". Pois, o Miguel enganou-se, porque os BdC da política já por aí andam na política nacional e local, não são nada discretos, e até correspondem aos perfil que ele traçou para os dirigentes desportivos, quase sempre "sumidades locais, ligadas ao poder local e ao partido dominante na terra, todos vagamente empresários, declaradamente incompetentes para a função, fatalmente comendadores e inevitavelmente ansiosos por protagonismo". Ora pensem lá bem, quantos conhecem assim?
Ao reflectir sobre esta questão cruzei-me com esta rábula dos Gato Fedorento. Oiçam a parte em que o presidente da Junta de Freguesia de São Jorge da Morrunhanha fala da eutanásia e das ratazanas que, depois de comerem o "veneno", incham e saem da toca para a praça pública, a guinchar. Uma rábula muito adequada ao texto de Miguel Sousa Tavares, "Como nascem os Brunos de Carvalho. E porque devem ser mortos à nascença". 


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